A Confirmação e a Iniciação Cristã dos Jovens

1. INTRODUÇÃO

A Comunidade cristã, já iniciada pelo sacramento do Batismo, se torna verdadeiramente missionária pelo Sacramento da Confirmação. O primeiro sacramento chama/vocaciona à vida cristã, ao discipulado/seguimento de Jesus junto aos irmãos e irmãs e o segundo envia como apóstolo/testemunha diante do mundo. A Confirmação faz amadurecer a fé recebida no Batismo e, ao mesmo tempo, é sinal de reconhecimento de que a pessoa está pronta para o apostolado. Assim, o melhor momento da vida para receber esse sacramento é o da Juventude.

A juventude na Igreja

A juventude é o momento das descobertas, dos desafios, das buscas e de intensa criatividade. Assim, também, na vida da Igreja: quando bem acolhidos e orientados, os jovens abraçam a causa do Evangelho com grande generosidade e coragem. Nunca, como hoje, os jovens se voltam para a vida eclesial através de encontros, dos movimentos de espiritualidade, da participação litúrgica e, especialmente, por causa de uma profunda conversão do coração à pessoa de Jesus Cristo, modelo e exemplo para suas próprias vidas. É, pois, tarefa da Igreja despertar e animar a gratuidade própria que já existe nos jovens, desde o seu Batismo.

Serviço e testemunho

A exemplo de Cristo que é Servo Fiel e Testemunha Viva do Amor do Pai, o crismando, já designado profeta no Batismo, receberá, na Confirmação, o encargo de servir o Evangelho na pessoa dos irmãos e de ser dispensador do amor de Deus em forma de testemunho, na sociedade e no mundo de hoje. Como sal da terra, luz do mundo e fermento na massa[1] ele crescerá cada vez mais na consciência de que é agente transformador pela força do Espírito, responsável por mais justiça e solidariedade. Testemunho exige renúncia. Renunciar às drogas, à prostituição, à alienação, ao consumismo e a tantas outras formas de morte é um modo convincente de valorizar a vida e realizar-se como pessoa humana. Recebendo os dons do Espírito Santo no Crisma, o jovem será imbuído da sublime ousadia do testemunho vibrante e corajoso. É essencial que o crismado seja uma testemunha, pois é sinal-sacramento de Cristo no mundo em que vive. O testemunho se realiza, de fato, no confronto dos valores cristãos com as desigualdades sociais. Desse confronto, os jovens aprenderão a edificar uma sociedade fraterna, igualitária e justa. Assim, os crismados anunciarão aos outros jovens que existe um projeto de vida alternativo em relação ao projeto de morte e de desumanização que vigora na sociedade. Aí o jovem verá, com uma nova ótica, que a utopia do Reino de Deus tem sentido e começa a ser realidade hoje.

Pastoral

Levando em conta a realidade de nossas comunidades, o enfoque da pastoral da Confirmação deve centrar-se no engajamento dos jovens nas diretrizes de evangelização da Diocese, da paróquia e da comunidade. Será despertada na consciência do crismado a necessidade de caminhar na contramão de uma sociedade neoliberal e pós-moderna que relativiza a dignidade humana (o ser) e prioriza o material (o ter). O crismado deve ser o precursor de uma pastoral embasada na fé, por isso mesmo ativa e não passiva. A fé, por outro lado, amadurece em confronto com a realidade social. O jovem será levado a perceber que, após ser crismado, estará ligado, profundamente, a sua Igreja local, ao seu bispo e a sua comunidade onde vai promover a participação de outros jovens, atuando numa pastoral específica.

2. A Confirmação e a importância da iniciação cristã

O Catecismo da Igreja Católica ensina que, juntamente com o Batismo e a Eucaristia, o sacramento da Confirmação constitui o conjunto dos Sacramentos de Iniciação Cristã[2]. A incorporação e configuração total ao mistério de Cristo são devidas à ação desses três sacramentos. Só pode ser considerado plenamente iniciado na fé e na vida da Igreja quem nasceu pelo Batismo, foi alimentado pela Eucaristia e assumiu responsabilidades de uma fé madura no sacramento da Confirmação. Esses três sacramentos são os fundamentos de toda a vida cristã. Diz o Catecismo: Os fiéis, de fato, renascidos no Batismo, são fortalecidos pelo sacramento da Confirmação e, depois, nutridos com o alimento da vida eterna na Eucaristia. Assim, por efeito destes sacramentos da iniciação cristã, estão em condições de saborear cada vez mais os tesouros da vida divina e de progredir até alcançar a perfeição da caridade[3].

A Confirmação é a segunda etapa da iniciação cristã. Por razões pastorais e por ser esse o sacramento da juventude por excelência, é recebido após a Eucaristia, completando a iniciação e atestando a maturidade da fé. Por esse sacramento se recebe o dom do Espírito Santo, prometido por Cristo e por ele difundido sobre a Igreja no dia de Pentecostes, consumando, assim, a graça batismal. O Concílio Ecumênico Vaticano II assim se expressava: “pelo sacramento da Confirmação os fiéis são vinculados mais perfeitamente à Igreja, enriquecidos de força especial do Espírito Santo, e assim mais estritamente obrigados à fé que, como verdadeiras testemunhas de Cristo, devem difundir e defender tanto por palavras como por obras”[4].

As origens bíblicas e a teologia dA CONFIRMAÇÃO

1. Fundamentaçã

No Antigo Testamento, os profetas anunciaram que o Espírito do Senhor repou­saria sobre o Messias esperado[5] em vista da sua missão salvífica[6]. No Novo Testamento, a descida do Espí­rito Santo sobre Jesus, por ocasião do seu Batismo por João Batista, foi o sinal claro de que era ele quem devia vir, que ele era o Messias, o Filho de Deus[7]. Concebido do Espírito Santo, toda a sua vida e toda a sua missão se realizam em uma comunhão total com o mesmo Espí­rito, que o Pai lhe dá “sem medida”[8].

Novo Pentecostes

Tradicionalmente,a Confirmação é fundamentada em duas passagens dos Atos: 8,14-17 (Samaria) e 19,1-7 (Éfeso). O Novo Catecismo, porém, acentua prioritariamente a pessoa de Jesus que, sendo o Messias, confirma sua messianidade, em Pentecostes, para todo o povo. De fato, a “plenitude do Espírito não devia ser apenas a do Messias; mas devia ser comunicada a todo o povo messiânico”[9]. Em muitas ocasiões, Cristo prometeu esta efusão do Espírito[10] e, de maneira mais marcante, no dia de Pen­tecostes[11]. O livro dos Atos afirma que Jesus cumpriu sua promessa, enviando o Espírito sobre os apóstolos e eles, repletos do Espírito Santo, começam a proclamar “as maravilhas de Deus”[12], Essa efusão do Espírito é o si­nal forte dos tempos messiânicos[13]. O Espírito é para todos, pois, todos os que foram batizados, receberam o dom do Espírito Santo[14].

Assim, a origem da Confirmação está ligada à descida extraordinária do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Hoje, se realiza em cada confirmado um pentecostes pessoal. O que ocorreu de modo comunitário e universal em Pentecostes, se realiza de modo pessoal em cada crismado e, consequentemente, para toda a comunidade da Igreja. A Confirmação é, pois, o sacramento do dom pentecostal do Espírito Santo, daquele Espírito que constitui a “alma da Igreja”[15].

Imposição das mãos

Na Sagrada Escritura, já no Antigo Testamento, impor as mãos significava comunicar uma força especial. No Novo Testamento significa atribuição de uma missão eclesial[16] e comunicação do dom do Espírito Santo: “Desde então, os Apóstolos, para cumprir a vontade de Cristo, comunicaram aos neófitos, pela imposição das mãos, o dom do Espírito que leva a graça do Batismo à sua consumação[17]. A imposição das mãos é, com razão, reconhecida pela tradição católica como a origem do sacra­mento da Confirmação que perpetua, de certo modo, na Igreja, a graça de Pentecostes”[18].

Unção com o óleo, unção do Espírito

O Antigo Testamento fala da unção de reis e sacerdotes. Estes são ungidos para uma missão específica que é a de zelar pelo Povo de Deus, praticando a justiça para com os pobres. No Novo Testamento, Jesus receberá de seus seguidores o nome de ungido (Messias, em hebraico e Cristo, em grego). Jesus ressuscitado faz essa unção derramar sobre todos os seus seguidores. Aquele que é ungido com o Espírito que ungiu Jesus é convocado a participar da mesma missão do mestre de anunciar o novo tempo da fraternidade universal e de promover a justiça aos pobres da terra.

Assim entendeu a Igreja dos primórdios ao acrescentar à imposição das mãos uma unção com óleo per­fumado chamado crisma. Dessa unção vem o nome de “cristão”, que significa “ungido” termo oriundo do próprio nome de Cristo que “Deus ungiu com o Espírito Santo”[19]. O rito da unção, de antiga tradição, existe até os nossos dias. Chamamos também Confirmação ao rito completo da imposição das mãos e da unção com óleo, significando, ao mesmo tempo, a ratificação do Batismo, que completa a iniciação cristã e a consolidação da graça batismal, frutos do Espírito Santo.

Propriedades da Unção

A unção, no simbolismo bíblico, é rica de numerosos significados: o óleo é sinal de abundância e de alegria[20]; ele purifica (unção antes e de­pois do banho) e amacia (unção dos atletas e dos lutadores); é sinal de cura, pois ameniza as contusões e as feridas[21], e faz irradiar beleza, saúde e força. Desse modo, a unção, antes do batismo, com óleo dos catecúmenos, significa purificação e fortaleci­mento; a unção dos enfermos exprime a cura.

Consagração

A unção com o óleo do crisma depois do Batismo, na Confirmação e na Ordenação, é o sinal de uma consagração. Pela Confirma­ção, os que são ungidos, participam mais intensamente da missão de Jesus e da plenitude do Espírito Santo, de que Jesus é plenificado, a fim de que toda a vida deles exale “o bom odor de Cristo”[22].

Como o Batismo, a Confirmação é dada uma só vez. Pois a Confirmação imprime na alma uma marca espiritual indelével que caracteriza a pessoa. Esse caráter é o sinal de que Jesus Cristo assinalou um cristão com o selo do seu Espírito, revestindo-o da força do alto para ser sua testemunha[23].

Caráter

Pela unção, o confirmando recebe uma marca que é o selo do Espírito Santo. O selo é o símbolo da pessoa, sinal da sua autoridade, da sua propriedade sobre um objeto[24]. O caráter, pois, diz respeito à identidade mais profunda da pessoa. Assinalado pelo sacramento, o cristão fala com autoridade de Deus. O ungido pertence a Deus. Deus é o nosso Senhor. O caráter autentica a pessoa e dá credibilidade à sua ação apostólica. É sinal de compromisso e envolvimento com a causa de Cristo. A causa de Cristo se torna a causa de todo cristão.

O caráter coloca a pessoa à serviço do Evangelho

Cristo mesmo se declara marcado com o selo de seu Pai[25]. Também o cristão está marcado com um selo: “Aquele que nos fortalece convosco em Cristo e nos dá a unção é Deus, o qual nos marcou com um selo e colocou em nossos corações o penhor do Espírito”[26]. Este selo do Espírito Santo marca a pertença total a Cristo, a mobilização para o seu serviço, para sempre, mas também a promessa da proteção divina na grande provação escatológica[27].

O caráter aperfeiçoa o sacerdócio comum dos fiéis, recebido no batismo, e o “confirmado recebe o poder e a obrigação de confessar a fé de Cristo publicamente[28]. Doravante, poderá dizer “Jesus é o Senhor” pois possui o dom do Espírito[29].

Efeitos da Confirmação

O principal efeito do sacramento da Confirmação é a efusão do Espírito Santo, como foi outorgado outrora aos Apóstolos no dia de Pentecostes. O Catecismo da Igreja Católica ensina que a Confirmação produz crescimento e aprofundamento da graça batismal: enraíza-nos mais profundamente na filiação divina, que nos faz dizer Abba, Pai[30]; une-nos mais solidamente a Cristo; aumenta em nós os dons do Espí­rito Santo; torna mais perfeita a nossa vinculação com a Igreja[31]; dá-nos uma força especial do Espírito Santo para difundir e defender a fé pela palavra e pela ação, como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessar com valentia o nome de Cristo e para nunca sentir vergonha em relação à cruz[32]:

2. A FORÇA DO ESPÍRITO SANTO

Recebemos o Espírito Santo no Batismo e o recebemos também na Confirmação. É um mesmo e único Espírito. É o Espírito prometido por Jesus que o Pai envia para dar vida e força na caminhada. Assim, podemos dizer que, no Batismo, o Espírito Santo nos é dado como VIDA; na Confirmação nos é dado como FORÇA. Chamados à vida cristã e ao discipulado pelo Batismo, somos enviados como apóstolos e missionários para dar vida ao mundo. Desse modo, vida e força são efeitos do mesmo Espírito, dom indivisível de Deus. Configurados a Cristo pelo Batismo e engajados no seu Evangelho somos capazes, agora, pelo Espírito Santo, viver em plenitude esse mesmo Evangelho.

Pelo sacramento do Batismo, o Espírito Santo é dado como sendo a vida divina que o Pai comunica a fim de arrancar a todos da morte do pecado. É o que ensina o Concílio: “Ele é o Espírito da vida ou fonte de água que jorra para a vida eterna” (LG 4)[33]. Recebendo de Deus sua vida, os homens tornam-se filhos dele. Jesus ensinou que o batismo é um novo nascimento[34. Cristo, da mesma forma, encorajou os apóstolos dizendo-lhes: O Espírito descerá sobre vós, e dele recebereis força[35]. Também o Concílio ensina: “Pelo Sacramento da Confirmação os fiéis são enriquecidos de especial força do Espírito Santo”[36].

O Espírito Santo foi dado como força aos apóstolos a fim de que eles fossem fortes com a força do próprio Deus e tivessem a capacidade e a coragem de viver o Evangelho em plenitude e de oferecer ao mundo o testemunho do Cristo morto e Ressuscitado. Hoje, todos os batizados e confirmados participam dessa força especial do Espírito, tornando-se apóstolos. Assim diz o Concílio: “Os leigos, inseridos pelo batismo no corpo de Cristo e pela confirmação robustecidos na força do Espírito Santo, recebem do próprio Senhor a delegação para o apostolado”[37].

O Novo Testamento testifica de que modo o Espírito Santo assistia Jesus na realização de sua obra messiânica: Depois de receber o batismo de João, Jesus viu o Espírito Santo descer sobre si[38] e assim permanecer[39]. Jesus foi impelido pelo Espírito a iniciar, publicamente, o trabalho messiânico, tomando para si o dito de Isaias: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar o ano da graça do Senhor[40].

Cristo garantiu aos apóstolos a assistência do Espírito Santo, especialmente diante da perseguição e do sofrimento[41]. Antes de sofrer a paixão prometeu aos apóstolos que lhes enviaria o Espírito da verdade[42], o qual os ajudaria a dar testemunho do Senhor[43]. Depois da ressurreição, Cristo prometeu a vinda eminente do Espírito, dizendo: Recebereis a força do Espírito Santo que descerá sobre vós a fim de serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e a Samaria, e até os confins da terra[44]. Isso aconteceu em Pentecostes[45].

3. IGREJA MISSIONÁRIA

O Espírito Santo, derramado em Pentecostes, faz a Igreja nascer com força missionária para ir até os confins do mundo[46]. O Evento de Pentecostes mostra a vocação primeira da Igreja: falar a língua de todos os povos. É a partir do dom do Espírito Santo que a comunidade de seguidores de Jesus perde o medo, sai do anonimato e assume seu papel missionário de anunciadora da Boa Nova.

O Espírito, da mesma forma, faz o cristão sair de si mesmo, tornando-o missionário, anunciador da salvação realizada em Jesus. O Espírito impulsiona a pessoa e a comunidade na direção do serviço e do anúncio. Serviço aos que necessitam de mais vida. Anúncio pela Palavra e pelo Testemunho a todos e a tudo o que está distante da proposta de Jesus.

Quanto mais é acolhido e vivenciado o dom do Espírito, mais o crismado será missionário. O Espírito impele sempre na direção do outro, do irmão. No Crisma, o jovem é movido a agir, saindo do individualismo em direção da comunidade. Todo dom serve para edificar a Igreja[47]. E a Igreja toda é missionária na força do Espírito. O Espírito é a força que age e faz agir, dando continuidade ao projeto de Jesus ontem, hoje e sempre.

Ser crismado é, pois, lançar-se nessa realidade única de ser missionário no Espírito do Ressuscitado. Os jovens, sob o impulso irresistível do Espírito recebido no Crisma, anunciarão o ano da graça do Senhor, tempo novo de perdão e misericórdia no qual justiça e paz se abraçarão, uma verdadeira civilização do amor.

4. A SANTÍSSIMA TRINDADE E OS DOIS SACRAMENTOS DE INICIAÇÃO CRISTÃ

A Confirmação nos unge com o Espírito de Jesus Cristo ressuscitado e nos envia para a missão de continuar o seu projeto na história. A dimensão pneumatológica, intrínseca desse sacramento, deve ser compreendida dentro da realidade e mistério da Santíssima Trindade que se revela na história humana através da missão do Filho e da missão do Espírito. O Filho tem a missão de encarnação, da comunicação da Palavra, da revelação pessoal e corporal e se perpetua sacramentalmente na comunidade de seus seguidores e nos pequeninos. O Espírito Santo tem a missão de continuar a obra de Jesus pelos tempos afora, de modos os mais diversos. Ele é vento, força, inspiração, dinamismo, intimidade. Age por dentro da história, dos fatos e das pessoas de maneira imanente e invisível.

Essa dupla missão trinitária completa e realiza o mistério da salvação de Deus oferecida a todos os homens e mulheres e nos dá o rumo de nossa missão hoje, na Igreja e no mundo.

O cristão é o seguidor de Jesus, Palavra de Deus encarnada. Seguir Jesus é encarnar-se na história humana pessoal e comunitariamente como fermento, sal e luz[48]. Jesus não é uma idéia abstrata e nem uma divindade que esteve entre nós e voltou para o céu. Ele está no meio de nós e aqueles que são seus seguidores constituem o seu corpo, que é a Igreja. O batismo nos insere nesse corpo, nos faz comunidade visível e histórica, nos faz filhos de Deus em Jesus. É um sacramento que se liga de modo especial à missão do Filho. Mas o seguidor de Jesus é aquele que recebe o seu Espírito, que vibra, que louva, que festeja e anuncia a ressurreição de Jesus. É aquele que vai se transformando por dentro e ficando mais parecido com Jesus. Tudo isso é obra do Espírito que é dinamismo, força, luz, sabedoria, discernimento, piedade, coragem, alegria. O Sacramento da Confirmação está ligado, portanto, à missão do Espírito Santo.

As missões do Filho e do Espírito se completam e realizam a salvação. Uma missão não pode ser separada da outra na experiência da fé cristã. A carne sem o Espírito de nada serve, é o Espírito quem vivifica a carne[49]. Toda autêntica espiritualidade, pois, tem de referir-se a Jesus e sua encarnação[50].

Os sacramentos do Batismo e da Confirmação se completam como expressão desta dupla missão trinitária e introduz o cristão na comunidade dos seguidores de Jesus como membro de seu corpo e sua testemunha no mundo.

LITURGIA – CELEBRAÇÃO

1. A CELEBRAÇÃO

Consagração do óleo do Crisma – ligação com o tríduo pascal

Todo sacramento possui uma profunda ligação com o mistério pascal. Na Confirmação há um gesto litúrgico que demonstra essa realidade. É a consagração do santo crisma. É o bispo que, na quinta-feira santa, du­rante a missa do crisma, consagra o santo crisma para toda a Diocese. Os crismandos sejam levados a participar, o quanto possível, da missa do crisma na qual o óleo da unção será abençoado.

Renovação das Promessas do Batismo: Ligação do Batismo com a Confirmação

Quando a Confirmação é celebrada em separado do Batismo, como ocorre no rito romano, a liturgia do sacramento começa com a renovação das promessas do Batismo e com a profissão de fé dos confirmados. Assim, aparece com clareza que a Con­firmação se situa na seqüência do batismo[51].

Imposição das mãos – o Espírito septiforme

No rito romano, o bispo estende as mãos sobre o conjunto dos confirmandos – gesto que, desde o tempo dos Apóstolos, é o sinal do dom do Espírito – e invoca a efusão do Espírito. O Bispo reza: “Deus todo-poderoso, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que pela água e pelo Espírito Santo fizestes renascer estes vos­sos servos, libertando-os do pecado, enviai-lhes o Espírito Santo Paráclito; dai-lhes, Senhor, o espírito de sabedoria e inteligência, o espírito de conselho e fortaleza, o espírito da ciência e piedade e enchei-os do espírito de vosso temor”[52]. Depois, ao ungir a fronte do confirmando, o Bispo impõe a mão individualmente sobre cada um. Os sete dons significam a universalidade e a perfeição do único dom do Espírito. Significam, também, que o crismado possui todos os dons necessários para a perfeição de sua vida cristã e para o desempenho de seu apostolado.

As palavras essenciais: matéria e forma do sacramento

Segue-se o rito essencial do sacramento. No rito latino, “o sacramento da Confirmação é conferido pela unção do santo crisma na fronte, feita impondo a mão, e por estas palavras: Recebe, por este sinal, o dom do Espírito Santo”[53].

Abraço da Paz

O ósculo da paz, que encerra o rito do sacramento, significa e manifesta a comunhão eclesial com o bispo e com todos os fiéis[54]. No passado, em vez do abraço da paz, o Bispo dava um leve “tapa” no crismado. Era um costume medieval que visava imprimir na memória um acontecimento importante[55]. Esse costume caiu em desuso e não pertence mais ao ritual. Hoje, imediatamente após a imposição da mão com a unção na fronte, o Bispo abraça o crismado e com ele mantém um breve diálogo: “N… a paz esteja contigo!”, ao que o confirmado responde: “E contigo também”! Segue-se o abraço da paz, abraço do Pastor que ama aqueles que são do rebanho. Imagine-se, nesse momento, sendo abraçado por Jesus, que dá a força do Espírito!

2. PRINCIPAIS PERSONAGENS DA CELEBRAÇÃO

Bispo

O ministro originário da Confirmação é o Bispo. É “originário” porque ele, enquanto sucessor dos apóstolos, está na origem do sacramento. O sacramento, que é vontade de Cristo, tem sua origem no múnus episcopal. A administração desse sacramento pelo Bispo, ensina o Catecismo da Igreja Católica, “marca bem que ele tem como efeito unir aqueles que o receberam mais intimamente à Igreja, às suas origens apostólicas e à sua missão de dar testemunho de Cristo”[56]. No passado, o Bispo dava acabamento ao rito do Batismo, de uma só vez, crismando o neófito e conduzindo-o à mesa eucarística. Hoje, ele realiza o acabamento da iniciação cristã, transmitindo e capacitando o fiel para a missão apostólica. É o Bispo, como ministro primeiro e originário do Crisma, quem garante a apostolicidade da missão. Pelo Crisma, o jovem se liga intimamente ao Bispo em sua missão de pastor do rebanho de Deus. Toda celebração do Sacramento do Crisma se torna, de modo muito próprio, um momento privilegiado do encontro do Bispo com a Juventude cristã.

O Pároco, o vigário paroquial e os padres concelebrantes

O pároco merece destaque por ser o responsável imediato da comunidade a que pertencem os crismandos. Por isso, ele deve orientar a liturgia do crisma e apresentar os crismandos, seus pais e padrinhos ao Bispo e à comunidade. Junto com o Bispo, com o vigário paroquial e demais concelebrantes ele impõe as mãos durante a grande oração do Bispo. Quando solicitado pelo Bispo, ele ajudará na unção dos crismandos[57].

Os crismandos

Devidamente preparados, sejam eles os principais protagonistas da celebração. Participem ativamente e com consciência do valor do sacramento e das responsabilidades que assumem. Estejam preparados para renovar, com voz alta e forte, as promessas do batismo e, do mesmo modo, se expressem nítida e claramente no diálogo com o Bispo.

A Família

Os pais merecem consideração especial na liturgia. Eles, por amor, geraram aqueles que o próprio Deus, no batismo, adotou como filhos e que a Igreja, no Crisma, recebe como apóstolos. Sejam lembrados nas preces dos fiéis e participem ativamente de toda a celebração.

A Comunidade

A comunidade eclesial é o cenáculo em que se reúnem e se unem na oração os crismandos, quais novos apóstolos de Cristo, para receber o Espírito Santo. Nela deverão sentir-se como em casa: acolhidos, amparados, apoiados e fortalecidos para a missão. O Catecismo da Igreja Católica insiste em que “a catequese da confirmação se empenhará em despertar o senso de pertença à Igreja de Jesus Cristo, tanto à Igreja Universal quanto à comunidade paroquial. Esta última tem responsabilidade peculiar na preparação dos confirmandos”[58].

Os padrinhos

A comunidade não pode, toda inteira, acompanhar cada um dos crismandos. Por isso ela os confia aos padrinhos que, em nome dela, haverão de os apoiar. Os padrinhos, por isso mesmo, devem ser católicos praticantes, membros ativos de uma comunidade. Devem ter fé comprovada e capaz de testemunho autêntico. É obrigatório que já tenham recebido os três sacramentos de iniciação cristã e que não tenham impedimento canônico para exercer a função de padrinhos. De preferência, os padrinhos sejam os mesmos do Batismo para manifestar a estreita ligação desse sacramento com a Confirmação[59].

O padrinho, o quanto possível, seja o mesmo do batismo, expressando, dessa forma, o nexo e a continuidade entre o Batismo e a Confirmação. Pode-se, se for o caso, escolher outros padrinhos, respeitando a vontade do crismando e de sua família. É, ainda, permitido que os próprios pais apresentem seus filhos.

3. LITURGIA

Preparação para a Liturgia

Deve ser feita pela equipe responsável com a participação dos próprios crismandos. Programa-se as leituras, os comentários, as preces, os símbolos e demais atividades litúrgicas. Toda a programação tenha a aprovação do pároco e seja, também, levada ao conhecimento do Bispo que é o ministro desse sacramento. Será priorizado o sentido de festa, próprio dos sacramentos cristãos.

Ensaios

Alguns ensaios dos crismandos, dos pais e padrinhos, em datas próximas à data do Crisma, será uma boa ocasião para esclarecer e aprofundar o sentido da cerimônia, dando, também, mais segurança no dia do Crisma.

Vigília

De antiga tradição na Igreja é a preparação espiritual com vigília de oração, cânticos, leitura da Palavra de Deus. A vigília poderá ser feita de modos diversos, em data próxima à grande festa. A criatividade dos crismandos e catequistas buscará a forma mais conveniente à participação dos jovens. Um retiro espiritual de um ou mais dias, obedecendo a programação prévia, dará excelente acabamento ao período do catecumenato crismal.

Sacramento da Reconciliação

Para receber, com o coração disponível, aberto, puro, o grande dom que é o Espírito Santo, será proporcionada aos crismandos a oportunidade de receber também o sacramento do perdão, após a confissão dos pecados. Caso o Sacramento da Reconciliação não tenha sido recebido na vigília ou no retiro, seja programado um dia penitencial para esse fim[60].

O Dia do Crisma

A recepção do Sacramento da Confirmação será sempre dentro da missa dominical. A Eucaristia, a renovação das promessas do Batismo e a própria Confirmação sinalizam a unidade da iniciação cristã. O Papa Paulo VI já ensinava que “a Confirmação está de tal modo ligada à Sagrada Eucaristia que os fiéis, já marcados com o sinal do batismo e da Confirmação, são inseridos plenamente no corpo de Cristo pela participação na Eucaristia”[61].

Nessa festa, o jovem é declarado plenamente iniciado e adulto na fé. Estará, desde então, pronto para a missão, para o apostolado na Igreja e no Mundo. A comunidade deverá ser envolvida na celebração já que ela é a grande responsável pelo amadurecimento dos crismandos. Estejam também presentes o Conselho da Comunidade e os representantes das diversas equipes pastorais.

A liturgia do Crisma consta das seguintes partes:

Homilia, na qual o Bispo dá a sua palavra de pastor e ao qual os crismandos serão ligados como os apóstolos a Jesus;

Renovação das Promessas do Batismo, que renova os compromissos batismais e lembra a ligação estreita desse sacramento com o Crisma. De fato, o Crisma confirma o Batismo e lhe dá acabamento;

Imposição das mãos e a grande oração para transmissão do dom de Deus que é o Espírito Santo;

Unção com o óleo do crisma que faz do crismado um ungido e consagrado para a missão;

Oração dos fiéis que são preces de agradecimentos e de súplicas elevadas a Deus, em nome de Jesus, em favor do dos crismandos, de suas famílias, das necessidades da comunidade, das necessidades dos pobres, em favor da Igreja, especialmente do Sumo Pontífice.

Orientações práticas

Procissão

Na liturgia do Crisma, a procissão mais significativa é a dos padrinhos conduzindo seus afilhados até o Bispo.

Vestes

As vestes dos crismandos sejam simples e dignas. Evitem-se roupas especiais e pompas extravagantes. O respeito aos pobres exige simplicidade evangélica.

Folheto

Os fiéis tenham em mãos o folheto com a celebração completa a fim de que possam participar de todas as orações e cantos.

Local

O local mais digno para a celebração é a igreja paroquial onde a comunidade celebra, quotidianamente, sua fé.

Fotógrafos e cinegrafistas

Os fotógrafos e cinegrafistas fixam esse momento importante da vida e do sacramento recebido. Eles, porém, não são personagens do rito propriamente dito, por isso não podem, de modo algum, atrapalhar a cerimônia, circulando pelo presbitério e subindo ao altar. Sejam estabelecidos limites para tais profissionais.

Homenagens

Onde houver o costume de fazer homenagens, jograis, discursos, entrega de certificados, etc. façam-se depois da missa, de preferência no salão paroquial. Essa norma visa salvaguardar o esplendor do próprio rito não prolongando demasiadamente a cerimônia.

Memória

Após o Crisma, serão registrados em livro próprio os nomes do ministro, dos crismados, dos pais e dos padrinhos, bem como o dia e lugar em que o sacramento foi realizado. Será, ainda, notificada a paróquia, onde o crismado, foi batizado para assento em livro próprio.

ORIENTAÇÕES PASTORAIS

A vida do cristão se caracteriza por momentos fortes, isto é, pelos sacramentos: a infância é marcada pelo Batismo, a pré adolescência pela Eucaristia, a juventude pela Confirmação, a idade adulta pelo matrimônio ou pela ordenação, os momentos de queda e pecado pela reconciliação e a doença pela unção dos enfermos.

O Sacramento da Confirmação enriquece o cristão na fase mais dinâmica da vida, fase decisiva para a escolha de um estado de vida, para sua vocação humana e cristã. Como os demais sacramentos, a Confirmação é sinal da graça divina. Supõe, no entanto, que o cristão procure as condições de receber tal graça, acolhendo-a e deixando-se conduzir por ela. Não adianta a semente ser de boa qualidade se o terreno for ruim, pedregoso ou cheio de espinhos[62]. A terra, para ser fértil, precisa ser cavada, adubada, regada, capinada. Assim, também, o coração do homem: para que a graça divina dê frutos, deverá ser bem preparado.

Seguem, portanto, algumas orientações para essa preparação:

1. Catecumenato para a responsabilidade

No catecumenato crismal dos jovens a catequese será, inicialmente, acolhedora. O ministério da acolhida deve funcionar seriamente. Depois, ela buscará formas criativas e renovadas de engajamento dos jovens na pastoral, na vida litúrgica e no apostolado dentro e fora da comunidade. Apresentará, ainda, com clareza e segurança, a doutrina cristã alicerçada na Palavra de Deus, na Tradição viva da Igreja e no ensinamento do Magistério. O período do catecumenato será um verdadeiro tirocínio, isto é, o jovem receberá não somente lições teóricas, mas será orientado ao desempenho de papéis co-responsáveis dentro da comunidade. O pároco, os coordenadores e demais lideranças da comunidade não tenham medo de atribuir tarefas e responsabilidades aos jovens, pois, desse modo os jovens aprenderão a conhecer sua comunidade, ser sensível aos seus problemas, descobrir seus valores para caminhar com ela. Os dons do Espírito Santo recebidos pelos crismados devem ser postos em prática e, para isso, é necessário que haja espaço dentro da comunidade para que os jovens desenvolvam seus talentos.

O catecumenato crismal deverá ser o tempo de uma profunda reflexão e decisão vocacional. De que modo o crismado exercerá o ministério na comunidade da Igreja: Como Leigo? Como Sacerdote? Como Religioso? Como Consagrado no mundo? Como Missionário? O ministério que o crismado haverá de assumir não é facultativo, mas obrigatório e necessário. Cada um, na Igreja, é chamado a ser alguém bem definido. O catecumenato crismal será um tempo importante no processo de decisão vocacional. A equipe terá, certamente, um papel de grande responsabilidade diante de Deus e dos crismandos.

Duração

A preparação se faça mediante encontros ou reuniões dominicais e tenha a duração de pelo menos um ano. A constituição do novo grupo de crismandos seja feita com antecedência, aproveitando a ocasião para uma catequese comunitária que mostre aos fiéis o sentido, a grandeza e a necessidade desse sacramento, bem como o seu valor para a vida cristã e apostólica na Igreja.

Conteúdo da preparação

O conteúdo seja organizado, levando-se em conta a experiência dos jovens, seus anseios, sua expectativas e dificuldades em relação à vivência da fé. Para a elaboração do conteúdo dos encontros, use-se a Sagrada Escritura, o Catecismo da Igreja Católica e o próprio Rito do Crisma. Pode-se, ainda, adotar um livro ou outros materiais confeccionados por Editora Católica. Pode-se, na missa dominical, apresentar à Comunidade os jovens que vão iniciar o catecumenato crismal. A entrega do Plano de Pastoral da Diocese nesse dia terá significado especial.

Os encontros

O jovem crismando deve ser respeitado na sua realidade sócio-psiquico-cultural, por isso os encontros devem ser celebrativos e festivos. A fé deve ser descoberta através da partilha e do diálogo. O jovem deve ser motivado a descobrir a beleza da fé, da Bíblia, da Igreja diante dos desafios do mundo da técnica, da cibernética, da ciência. A Igreja, por sua vez, deve ser apresentada como uma comunidade que celebra a vida. Os encontros devem apresentar os sinais sacramentais como uma maneira de conhecer a Deus e sua presença no meio da humanidade. Devem despertar o jovem para uma espiritualidade tipicamente sua de adesão a Cristo e a sua Igreja. O jovem, antes de mais nada, deve sentir-se acolhido nos encontros, para tanto a comunidade incentive o ministério do acolhimento.

Equipe responsável

Haja uma equipe responsável pela preparação dos crismandos. Essa equipe, quanto possível, seja constituída de jovens mais experientes, já crismados, e de casais. O pároco dará sempre, com sua presença, uma palavra de apoio e incentivo. Os membros dessa equipe não façam um trabalho isolado, mas estejam entrosados com a Pastoral da Juventude, com a Catequese e demais pastorais afins. A coordenação da equipe participe, assiduamente, do Conselho Pastoral da Comunidade e dos eventos promovidos pelo setor, pela região e pela Diocese. Alguns dos já crismados sejam convidados a ingressar na equipe a fim de ajudar a preparar o novo grupo do ano seguinte. A programação dos temas para a preparação dos crismandos seja feita com esmero e com antecedência. Todo improviso deve ser descartado.

Padrinhos

Também os padrinhos e, sobretudo os pais dos crismandos, acompanhem de perto a preparação. Sejam oferecidas oportunidades de participarem de encontros formativos, palestras, especialmente quanto à riqueza da liturgia crismal, da qual devem participar efetivamente.

Ação Apostólica

A ação apostólica seja parte indispensável e sempre presente no decorrer de todo o tempo de preparação. A formação doutrinal teórica é importante, porém, será melhor assimilada se for acompanhada de formas concretas de ação apostólica. Despertados e motivados para isso, os jovens descobrirão a alegria de servir, própria de todo cristão.

A equipe, juntamente com o pároco, programe a cada ano o tipo de atividade pastoral ou ação apostólica missionária que os crismandos poderão exercer. Na programação dessas atividades, de um lado, sejam discernidos e respeitados os dons, os carismas e a capacidade de cada pessoa, de outro, sejam orientados para o trabalho em equipe. A equipe ou o grupo seja um aprendizado para a solidariedade e para a comunhão. Os crismandos sejam habituados, desde cedo, a trabalhar também no que é difícil. A vida eclesial, muitas vezes, significa cruz, contrariedades, perseguições. Para isso, recebem a força especial do Espírito Santo. Na dificuldade é o Espírito quem falará em nós[63]. Busque-se, sobretudo, a inserção dos crismandos na ação apostólica dentro de seus ambientes mais imediatos: família, bairro, escola, trabalho, lazer. Sejam, da mesma forma, motivados a olhar para o mundo, a preocupar-se, a assumir atitudes éticas e evangélicas em defesa dos pobres, dos excluídos, dos menores do Reino.

A comunidade e a maturidade dos crismandos

A comunidade é a grande responsável pelo processo de amadurecimento dos jovens.

Toda catequese é comunitária e toda comunidade é também missionária; assim, a comunidade tem a grave responsabilidade de acolher, acompanhar e formar para a missão. Não se pode ignorar o papel pedagógico, formativo da comunidade. Nela, aprendemos uns dos outros e todos somos ensinados por Deus. A catequese mostrará ao jovem que o cristão não constrói o Reino de Deus sozinho e que sua felicidade não é apenas sua própria realização, mas também a dignificação do outro. Mostrará que é na comunidade que começamos a exercitar a fraternidade e a solidariedade e que a Igreja é o espaço da comunhão que deve se irradiar para todos.

2. Apostolado permanente dos leigos

Os sacramentos são graça de Deus que fazem a existência humana ficar cheia de sentido e de compromisso com Cristo e com os irmãos na grande família que é a Igreja.

A Confirmação é oferecida no importante momento do desabrochar para a vida adulta, quando o jovem se lança no desafio da vida profissional, da autonomia da maioridade, da realização pessoal, do seu papel na sociedade. O crismado assume todos esses desafios como alguém que possui a marca do batismo e a missão de viver, testemunhar e anunciar o Evangelho dentro dessa realidade.

O Sacramento do Crisma, dando o Espírito Santo como força, transforma cada batizado em apóstolo de Cristo. Como Jesus foi ungido pelo Espírito Santo para o desempenho de sua missão, assim também o cristão é crismado, isto é, ungido para exercer missão específica no meio do mundo. Agir e interagir no mundo é missão própria dos Leigos. Por isso, pode-se afirmar que a Confirmação é o sacramento do apostolado dos leigos. O Concílio é claro nesse ponto: “Os leigos, inseridos pelo batismo no Corpo místico de Cristo e pela Confirmação robustecidos na força do Espírito Santo, recebem do próprio Senhor a delegação para o apostolado”[64].

A missão própria dos apóstolos era a de ser testemunha de Cristo morto e ressuscitado. Eram pessoas que, diante dos fatos da vida, morte e ressurreição de Jesus, haveriam também de dar testemunho, dar depoimentos, declarações e provas de tudo o que tinham visto e ouvido.

Esta é, portanto, a tarefa dos crismados: ser testemunha de Cristo pela fé e dar testemunho dele por sua vida e palavras, nos mais variados ambientes e situações. Com efeito, a tarefa dos leigos é a de procurar o Reino de Deus, exercendo suas funções no mundo. É a de levar o Evangelho para o coração do mundo e de levar o mundo para o coração de Deus, no seio da comunidade da Igreja.

Essa missão, portanto, não significa oposição entre os serviços prestados pelos leigos e pela hierarquia da Igreja, mas sim que os leigos são a própria Igreja presente na história, inserida em realidades a que só eles chegam pela sua própria condição. É nesse sentido que o Concílio afirma que a missão dos leigos é “tornar a Igreja presente e atuante naqueles lugares e circunstâncias onde, apenas através deles, ela pode chegar como sal da terra”[65].

3. QUESTÕES PARTICULARES

 Quem recebe o sacramento

Todo batizado ainda não confirmado pode e deve receber o sa­cramento da Confirmação[66]. Pelo fato de o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia formarem uma unidade, segue-se que é obrigatório para todo batizado, a fim de concluir a iniciação cristã, receber esse sacramento[67], pois sem a Confir­mação e a Eucaristia, a iniciação permanece inacabada, embora o sacramento do Batismo seja, sem dúvida, válido e eficaz.

Idade

A tradição latina indica “a idade da razão”, isto é, por volta de sete anos, para receber a Confirmação. Entretanto, “por razões pastorais, sobretudo para inculcar com maior vigor nos fiéis a perfeita obediência ao Cristo Jesus e seu firme testemunho, as conferências episcopais podem fixar a idade que parecer mais apropriada, de modo que este sacramento, depois de conveniente instrução, seja recebido em idade mais madura”[68].

Em geral as dioceses consideram catorze anos a idade ideal para o jovem receber o Crisma. A equipe, juntamente com o pároco, entretanto, saiba discernir bem essa questão. A idade cronológica requer o equilíbrio e a contrapartida da idade psicológica. Não se deve, do mesmo modo, confundir a idade adulta da fé com a idade adulta do crescimento natural. Santo Tomás ensina que a idade do corpo não constitui prejuízo para a alma[69].

Padre, ministro extraordinário da Confirmação

O ministro ordinário da Confirmação é o bispo[70]. Ele pode, no entanto, por motivos graves conceder a presbíteros a faculdade de administrar a Confirmação[71].

Em perigo de vida

Se um cristão estiver em perigo de vida, todo presbítero deve dar-lhe a Confirmação[72]. Também as crianças gravemente enfermas devem ser confirmadas, mesmo que ainda não te­nha atingido o uso da razão[73]. Com efeito, a Igreja quer que nenhum dos seus filhos, mesmo se de tenra idade, deixe este mundo sem ter se tornado perfeito pelo Espírito Santo com o dom da plenitude de Cristo.

Adulto

O adulto já batizado e ainda não crismado seja acolhido pela comunidade e encaminhado à Pastoral do Crisma ou à Catequese de Adultos. Após uma preparação adequada à sua situação, ele será crismado, normalmente, junto com os jovens.

O adulto não batizado, após uma preparação adequada será batizado e, em seguida, crismado pelo presbítero. Se a cerimônia ocorrer dentro da missa receberá, também, a Eucaristia[74].

Padrinhos

Cada crismando e cada crismanda tenha o seu padrinho e sua madrinha. Confiar a um único padrinho vários afilhados ou abolir os padrinhos supondo que toda a comunidade seja testemunha, não corresponde nem ao sentido desta instituição nem à vontade da Igreja.

Côn. Dr. José Adriano
Publicado in: Revista de Cultura Teológica nº 22 (jan/mar/1998) 43-62 – ISSN 0104-0529

Notas:

[1] Cf. Mt 5,13-14.33

[2] n. 1285

[3] n. 1212; Cf. Paulo VI, DCN, praenotanda 1-2

[4] LG 11

[5] Is 11,2

[6] Lc 4,16-22; Is 61,1

[7] Mt 3,13-17; Jo 1,33-34

[8] Jo 3,34

[9] Cf. Ez 36,25-27; Jl3,1-2

[10] Cf. Lc 12,12; Jo 3,5-8;7,37-39;16,7-15; At 1,8

[11] At 2,1-4

[12] At 2,11

[13] At 2,17-18

[14] At 2,38

[15] EN 75

[16] Cf. At 6, 1-6; 19,8

[17] At 8,15-17; 19,5-6

[18] Paulo VI, DCN

[19] At 10,38

[20] Dt 11,14s ; Sl 23,5; 104,15

[21] Cf. Is 1,6; Lc 10,34

[22] 2Cor 2,15

[23] Lc 24,48-49

[24] Gn 38,18; Ct 8,6; Gn 41,42; Dt 32,34

[25] Jo 6,27

[26] 2Cor 1,21-22 ; Ef 1,13;4,30

[27] Ap 7,2-3; 9,4; Ez 9,4-6

[28] S. Tomás de Aquino, S. Theol. 3,72,5, ad 2

[29] Cf. 1Cor 12,3

[30] Rm 8,15

[31] LG 11

[32] n. 1303; Cf. também LG 11,12

[33] LG 4; Cf. Jo 4,14; 7,38-39

[34] Cf. Jo 3,1-8

[35] At 1,8; Lc 24,49

[36] LG 11

[37] AA 3

[38] Mc 1,10

[39] Jo 1,32

[40] Lc 4,17-21

[41] Cf. Lc 12,12

[42] Jo 14,6

[43] Jo 15,26

[44] At 1,8

[45] At 2,4

[46] Cf. Mt 28, 19-20

[47] 1Cor 14,12

[48] Cf. Mt 5,13-14.33

[49] Cf. Jo 6,63

[50] 1Jo 4,2

[51] SC 71

[52] Pontifical Romano

[53] Catecismo da Igreja Católica n. 1300; Cf. At 2,38

[54] S. Hipólito, trad. ap. 21

[55] Sec. XIII com Durando de Mende e Sec. XV no Pontifical Romano de 1485.

[56] n. 1313

[57] Ordo Confirmationis, Praenot. II, 7

[58] n. 1309

[59] CIC, cân. 893, § 1.2

[60] Cf. Catecismo da Igreja Católica n. 1310

[61] DCN 9

[62] Cf. Mt 13,7

[63] Cf. Mt 10,20

[64] AA 3

[65] LG 33

[66] CIC, cân 889, § 1

[67] CIC, cân 890

[68] Introdução ao Rito da Confirmação, nº 11

[69] S. Theol. 3,72,8 ad 2

[70] CIC, cân. 882

[71] CIC, cân. 884, § 2

[72] C IC, cân. 883, § 3

[73] CIC, cân 891; 883,3

[74] CIC cân 866

Sobre conegoadriano

Doutor em Teologia Moral, professor, Sacerdote
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