Maria e seu Filho

Maria sente como  ninguém a identificação com Cristo

Deus: por puro amor, num ardente desejo, quis salvar a humanidade, vindo a este mundo e participando da história dos homens (Economia da Salvação).

Nascimento de Jesus: Isaias já profetizara: o sol nascente (Anatolê: astro luminoso) vem nos visitar para iluminar os que estão nas trevas e na sombra da morte guiar nossos passos… Jeremias também anunciou: um rebento surgirá do tronco de Davi para salvar Israel.

Sob a Lei, na pobreza: Nasceu numa estrebaria, envolto em faixas, reclinado numa manjedoura, já que não havia lugar para ele na hospedagem. Deus se submete às nossas fraquezas e pecados para nos salvar. Sendo rico, tornou-se pobre, sendo Senhor, tornou-se servo (Kênosis: despojamento).

Entranhas de Misericórdia – para realizar o seu plano amoroso, a Trindade se manifesta: O Pai envia o Espírito à uma Jovem, escolhida desde todo o sempre (Gn3,15), que concebe e dá à luz o Filho. A Jovem chamava Maria (doravante um nome bendito, são as entranhas de misericórdia).

Mãe: Maria, como verdadeira Arca da Aliança, contém em seu seio Jesus, o autor da vida e com ele se identifica totalmente. O Filho de Deus é carne de sua carne e sangue de seu sangue! Deus, finalmente, feito homem, pelo SIM da Mãe! Não deve haver, pois, neste mundo, amor maior do que o da mãe pelo filho no ventre. Maria está indelevelmente ligada a encarnação de Jesus. Por ela sabemos que Jesus é verdadeiramente um ser humano, e não meramente uma aparência. Doravante ela é a nova Eva, a mãe dos que vivem para sempre…

Mediadora: Deus a escolheu para ser a mediadora da Salvação. O Filho dela nascido é o “Santo de Deus”,  a “Luz que ilumina as nações”, o “Autor da Vida”, o “Redentor do gênero Humano”, o “Cordeiro Imaculado”… O anjo anunciou: Ave cheia de graça… O Espírito Santo virá sobre ti… De fato, essa missão só é possível para quem está cheia da graça de Deus e possui o dom e a força do Espírito Santo…

Virgem da Glória: Maria está presente da primeira a última página da Escritura Sagrada. Ela tem a ver com a Criação e com a Redenção. Concebida na mente de Deus, ela é a virgem que esmaga a cabeça da serpente no Gênesis (3,15), a Senhora vestida de sol que pisa sobre a lua e que traz na cabeça uma coroa de doze estrelas no Apocalipse (12,1). Do princípio ao fim a glória de Deus se manifesta na Jovem de Nazaré com uma força extraordinária!

Amor em ato (identificação) – A Virgem Maria é o amor em ato de Deus: Imaginemos a Virgem Santa embalando sua criança sagrada… alimentando, educando. Imaginemos, com José, a sagrada família no Tempo, na oração a favor do Menino (a virgem orante)… Depois, acompanhando seu filho em suas andanças pela Galiléia. Imaginemos a aflição da Mãe quando da perseguição e prisão de Jesus. Não podemos imaginar a dor de ver o filho agonizar na cruz (ao pé da cruz, antes de receber o corpo inerte do Filho nos braços, ela nos é entregue como mãe. A dor da cruz é como um novo parto: somos gerados, como filhos, na cruz. A mãe do crucificado é, agora, nossa mãe ). Podemos, isso sim, imaginar a alegria dessa doce Mãe, quando tem, de novo, seu Filho redivivo, ressuscitado… quando, reunida com os Apóstolos no Cenáculo, recebe outra vez o Espírito Santo! É, agora, a rainha dos Apóstolos, a primeira Apóstola do próprio Filho!

Igreja: A Senhora da Glória, a Mediadora da Salvação, a Porta do Céu e Arca da Aliança, a morada de Deus entre os homens é, hoje, a imagem da Igreja. A exemplo de Maria, ela contém em si mesma e dá ao mundo a luz da Salvação. Levada ao céu, em corpo e alma, essa sublime mãe continua, hoje, mais que nunca, a ser nossa intercessora e protetora, a abençoar a Igreja, a ser Mãe e Mestra. É impossível separar Maria da Igreja, Povo de Deus. Como a Igreja ela é santa, concebida sem pecado, como a Igreja ela é virgem e preservada da morte já possuindo a vida eterna e já vivendo em seu corpo a ressurreição. Como a Igreja ela anuncia e distribui os dons de Deus para seus filhos. Nossa Senhora representa o lado santo e puro da Igreja… Ela é a primeira pedra viva da construção do Reino de Deus no coração dos homens.

Os filhos: Somos filhos da Igreja porque, somos antes, filhos de Maria. Em Jesus, o primogênito, somos filhos do Pai do Céu. Maria nos dá a consciência da filiação divina e, também, a consciência de irmãos. Depois de Jesus ter nascido de Maria, ninguém mais é órfão, ninguém mais está abandonado, ninguém mais precisa ficar triste.. Igreja é isso: irmãos, filhos de uma mesma doce e carinhosa mãe. O cuidado e o zelo dispensados a Jesus, agora, a Mãe do Céu dispensa também a todos nós… com ela nos identificamos, para ela todo o nosso amor filial, todo o nosso carinho e veneração.

O Eterno Feminino: Ninguém vai a Deus senão por Jesus, ninguém vai a Jesus senão por Maria. Ela é o eterno feminino, aquela que Deus quis desde todo o sempre como Mãe (Teotókos), como Mãe da Segunda pessoa da Trindade, Jesus Cristo (Cristotókos).

Homilia

Côn. Dr. José Adriano

Sobre conegoadriano

Doutor em Teologia Moral, professor, Sacerdote
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