Momentos de Reflexão

Momento primeiro:

Estamos no caminho, somos viajantes do tempo. Nesse caminho nos encontramos, nos personalizamos, crescemos: encontramos-nos com Cristo, crescemos até sua estatura, tornamo-nos ícones seus. Padre Teilhard chamava isso de “subida da consciência”.

De fato, dizia ele, somos como “flechas” atiradas rumo ao futuro, rumo ao “ponto ômega” que é Jesus Ressuscitado. Não há como retroceder. Nossa felicidade está em ir “sempre para frente”. Mas nesse projetar-se para frente que é também uma ascensão, não podemos errar o caminho: o caminho que nos leva ao processo da unificação (ou seja, da personalização). Devemos respeitar, pelo menos, três fases desse processo:

 1.      Centrar-se sobre si mesmo (auto-conhecimento para uma auto-doação)

2.       Ex-centrar-se sobre o outro (unir os outros no amor, colocar o centro fora de si)

3.      Super-centrar-se sobre alguém maior que ele (Jesus Cristo, adoração, louvor)

Quanto ao Centrar-se: organizar seu centro pessoal, sua vida interior, sua espiritualidade, seu Eu mais íntimo. Organizar seu mundo material, social, moral, espiritual; organizar as idéias, os sentimentos, a conduta. Em tudo buscar os bens mais elevados, isto é, organizar-se em torno de uma hierarquia de valores (muitos vivem, doentiamente, querendo organizar a vida dos outros, da comunidade, do seminário, da diocese e até do bispo…) . Guardar essa verdade: “Ser é antes de tudo se encontrar”.

Quanto à Ex-centração: saber como um átomo capaz de abrir-se e unir-se aos outros átomos, seus semelhantes. Não podemos progredir até o fim de nós mesmos sem sairmos de nós mesmos e sem unirmo-nos aos outros. Daí a exigência e o sentido profundo do amor que, sob todas as suas formas, nos leva a associar nosso centro pessoal com outros centros escolhidos e privilegiados. Guardar essa verdade: “O amor se realiza em relação ao outro; quando seu centro é o outro”.

Quanto a Super-centração: atraídos por um pequeno número de afeições privilegiadas, o movimento de expansão e de ascensão não pára mais, ao contrário, nos absorve e nos impulsiona para uma Totalidade Organizada nela mesma, Absoluta e Eterna. Um Centro de ordem superior nos espera além e acima de nossos centros pessoais. Guardar essa verdade: “O centro fora de mim e fora do meu irmão, totalmente outro, é Deus”.

Daí se depreende três degraus encadeados em nosso caminho:

·        Ser, antes de tudo.

·        Depois, amar;

·        Finalmente, adorar

São, ao mesmo tempo, três degraus superpostos de felicidade:

·        Felicidade de crescer pela descoberta e unificação de nós mesmos.

·        Felicidade de amar pela união de nosso ser com os outros seres, iguais, semelhantes.

·        Felicidade de adorar pela subordinação alegre de nossa vida a Alguém maior que nós!

Três regras gerais para ser feliz, hoje, na realidade em que Deus me colocou:

·        Reagir contra a tendência para o menor esforço que nos faz ficar no mesmo lugar. A renovação da nossa vida não é possível numa agitação meramente exterior. É no afã de nossa perfeição interior, intelectual, artística, moral, social, espiritual, que a felicidade nos espera. Nansen, explorador do Pólo Norte, afirmou que “a coisa mais importante da vida é encontrar-se a si mesmo”, isto é, o espírito laboriosamente construído através e além da matéria.

·        Reagir contra o egoísmo. Há um modo de amar, estéril e degradante, pelo qual procuramos possuir, em vez de nos doar. O único amor verdadeiro é aquele que se realiza no progresso em comum (a exemplo da pericorese trinitária).

·        Transportar o interesse final de nossa vida para a marcha e o êxito do mundo: é preciso colocar o pólo da vida naquele que é maior do que nós: Deus. É preciso que, conscientes, façamos com perfeição e com alegria a menor das coisas. Ousar fazer sempre o melhor, dar de si sempre o melhor, buscar a excelência em tudo: ser claro na doutrina, honesto no testemunho, abnegado no serviço, campeão na fé, justo, misericordioso…

Momento segundo

A) EU, presente à minha história

Para além da “periferia” em que vivo a todo o momento, interiorizar minha existência:

Meu passado: o que marcou: sofrimentos e alegrias fortes, minhas limitações, minhas capacidades, minha família, minha formação, minhas atividades.

Saldo negativo: Impressão de miséria e pobreza existencial.

Meu presente: o tempo vai passando e não sou o que desejo ser. Ignorância, improdutividade. Impressão de vazio e frustração, apesar de algumas realizações, mas que, afinal, são bem pequenas.

Meu futuro: esperanças, sonhos e temores. Como será o dia de amanhã? Não sei. No fundo, grande mistério e forte desejo de ser feliz.

ORAÇÃO: “Sou um homem fraco, cuja existência é breve” (Sb. 9,5)

B) OS OUTROS, presentes em mim.

* Os que estão agora mais perto de mim: meus companheiros;

* Os que estão mais profundos no meu ser: família, amigos;

* Os mais recentes em minha lembrança: ministérios, encontros, estudo, pastoral.

Todos pertencem à minha vida. O que estou fazendo terá alguma influência sobre eles? Posso interceder por eles, mas posso também deixar-me interpelar por Deus para descobrir como fazer maior bem a eles. Sentir-me em comunhão com os outros, numa riqueza de interdependências.

C) DEUS presente em mim.

* Deus está em mim. Está em toda a parte. Estou  nEle (Sl 138). Sou como a terra seca e sem água. Busco a Deus (Sl 62).

* Recordar, na presença de Deus, como cheguei ao seu conhecimento. As primeiras noções e experiências, o encontro progressivo com Deus Vivo.  Gratidão a Deus por tê-lo conhecido tão cedo.  Anseio por conhecê-lo mais e melhor. “Agora vemos a Deus veladamente, um dia eu vos verei, Senhor, como sois” (1Cor 13,12; 1Jo 3,2).

* Aceitar a riqueza do momento atual: Deus me trouxe até aqui. Ele quer entrar em maior comunhão comigo. Deus tem providência do cego e do faminto (Sl 145). Tenho a disponibilidade suficiente?  (1Sm 3,1-21).

REFLEXÃO

* Sinto-me realizado e feliz?

* Estou preocupado, amargurado, apreensivo?

* Expor, com confiança, minha situação a Deus (Sl 141,142)

Sou um ser aberto à comunhão com Deus. Ele quer se comunicar comigo.

ORAÇÃO: “Mostrai-me, Senhor, a vossa face”.

Momento terceiro

Colocar-me na presença de Deus, pedindo-lhe que me revele melhor o mistério da vida humana. Nasci das mãos de Deus num imenso gesto de criação amorosa. No entanto, experimento o sofrimento e vou passar pela morte. A vida é para mim um TEMPO a serviço da minha liberdade. Como desejo dispor da minha vida agora que conheço bem o amor do meu Criador?

A) Primeira condição: a vida do homem no tempo.

Os dias do homem são semelhantes ao feno” (Sl 102,15). Na primeira condição há morte, luto e dor (Ap 21,4).

1. No ciclo da vida humana, encontro:

·        Fragilidade, doença, acidente, coisas imprevisíveis

·        Pequenez em relação a natureza

·        Brevidade da existência, velhice, morte

·        Mistério diante do que virá: ninguém sabe como é

ORAÇÃO: Salmos 38 e 89

2. No relacionamento humano eu encontro:

·        Amizade, amor e dedicação de uns aos outros

·        Há também ódio, inimizades, falta de transparência, profundas divisões

·        A vida do homem é dura e complexa. Vivemos “num corpo de pecado” (Rm 6,6), “geme e sofre como em  dores  de parto

·        Estamos divididos entre o desejo  de  viver  e  a realidade de um mundo em que não nos encontramos à vontade.

B) A verdade de minha vida: Deus me ama.

1. A certeza de que Deus me ama

* contemplando Jesus Cristo na Cruz e na Glória: o dom da sua vida por mim é a prova de que Deus me  ama (Jo  3,16)

* Quem nos dá seu filho, têm providência  de  nós  (Rm 8,32)

* Deus me ama primeiro e gratuitamente porque  ele  é bom (1Jo 4). Jesus me  revela o amor do seu Pai para com Ele e para comigo.  Seu Pai é nosso Pai (Jo 20,18)

* O importante  é   experimentar    isso  pessoalmente: Deus é bom! Quem não sabe o que é amar, nem conhece a gratuidade do amor, ainda não conhece a Deus: Deus  é amor-ágape (1Jo 4,8)

2.      A consciência de uma presença amorosa em minha vida

* O homem supera definitivamente sua solidão terrível. Está presente a Alguém que o ama. Isto me dá paz.

* meu passado, meu presente, meu futuro são assumidos por Deus. Ele me ama como sou e quer me fazer melhor, porque “Ele é bom”.

* a experiência de ser amado e possuído por Deus e  envolvido por sua providência é que me dá a coragem e a alegria de viver.

ORAÇÃO: “Tudo coopera para o bem para aqueles que amam a Deus” (Rm 8,28).

3. A abertura a todos os homens:

* descubro que todos os homens são amados por Deus. Deus me ama a mim que sou um pobre homem, então  Ele ama todos os homens. A experiência do amor  de  Deus para comigo estabelece comunhão profunda entre todos os homens.

* Todos somos envolvidos pelo amor primeiro do Pai (1Jo 1,7; 4,11)

* Na tribulação, na perseguição, na morte, continua o amor de Deus para comigo (Rm 8,35-39).  Na  oração dizer isso a Deus, dispor-me a  todo  acontecimento imprevisível:

ORAÇÃO: “Pai, nas  tuas  mãos  entrego  minha vida” (Lc 23,46)

C) A sede de ver a face do Deus vivo

1. Deus foi se revelando a mim

* ainda criança, falaram-me de Deus. Disseram-me que Ele era bom e me amava.

* um dia rezei sozinho pela primeira vez. Fui perdendo o medo da solidão, sabendo que Deus  estava  comigo. Perdi o medo diante da vida e dos perigos.

* percebi o universo nascendo do gesto amoroso de Deus, contido pelo amor de Deus. Fui crescendo na certeza de que Deus ama os homens e vela pela sorte de todos: sustenta a vida e nunca a retira.

2. essa revelação veio por Jesus Cristo

* Deus me chamou à fé na Palavra de seu Filho.   Muito cedo fiquei sabendo que Deus é Pai.

* Perceber o quanto esta revelação marca a minha vida. Toda minha visão do mundo depende da certeza de que Deus é bom e me ama de verdade.

* Ter sabido disso tão cedo foi uma graça. Como comunicar isso aos outros que ainda não conhecem a bondade de Deus?

ORAÇÃO: “Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 1,1s)

3. sede de Deus (Sl 41, 1-6)

* A sede aumenta na medida em que a vida vai passando. Como o salmista, eu também desejo “ver a Deus'(Sl 62). No entanto, Deus é misteriosamente maior  do que  tudo que consigo conhecer dEle. Meus conceitos são  pobres, minhas palavras inadequadas. É Ele mesmo que me infunde certeza de sua presença amorosa.

* É meu EU mais profundo  que anseia  por  Deus.  Deus habita no centro do meu ser. É fonte de tudo o  que eu faço. Encontro-me com Ele, para além do EU superficial que entra em contacto com as coisas pelos sentidos, para além da imaginação, dos símbolos e  das  palavras, da sensibilidade, dos pensamentos que penetram  a experiência. Deus é anterior à consciência que tenho de mim mesmo. Deus está presente no  ato  mesmo pelo  qual  me volto para ele. Deus é mais íntimo do que o meu próprio íntimo.

* É uma sede de ser amado e de amar. Deus é amor (1Jo 1,8). Ele ama primeiro. A sede que temos de ser amados pelos outros nesta vida é apenas um reflexo da sede que temos de ser amados pelo próprio Deus, de entrarmos em comunhão com Ele.

* É uma sede de conhecermos, cada vez mais, o mistério da vida de Deus. Quando penetrarei no mistério do Criador, do Redentor e do Santificador?  Embora de modo velado, já estou vivendo este mistério: O Pai me salva pelo Filho que me dá seu Espírito para que também eu tenha a coragem e a alegria de chamar a Deus de Pai (Rm 8,15; 1Jo 1,3).

* No termo desta vida, um encontro sem fim. Verei a Deus como Ele é (1Jo 3,2) Verei a Deus face a face (1Cor 13,12). Quem me libertará desse corpo de pecado para que possa se manifestar a vida de Deus em mim? (Rm 7,24)

ORAÇÃO: “Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando irei contemplar a FACE DE DEUS? (Sl 41)

4. A comunhão com Deus nessa vida

* Há uma experiência, cada vez maior, da presença de Deus em minha vida. Vou me percebendo amado e guiado por Ele durante o dia, aprendendo a ler sua vontade nos acontecimentos e a descobri-lo, agindo em mim e nos outros.

* Facilidade, cada vez maior, de encontrar-me unido a Deus em tudo que vou fazendo, dando ocasião a uma conversa sem fim com Ele que atravessa os acontecimentos do dia, que ora assume a forma de um silêncio, ora se traduz por palavras simples de confiança e amor. É preciso pedir a graça da oração:

ORAÇÃO: Creio, Senhor, no vosso amor!

Momento quarto

Toda a nossa vida hoje depende do ato de fé na pessoa de Jesus Cristo. É Ele que dá sentido a toda realidade, tornando-a envolvida pelo amor do Pai. Sem Ele, não conhecemos o Pai. Sem Ele, não nos abrimos aos outros, não vencemos a morte.

A) Jesus Cristo revela o seu mistério

É homem verdadeiro e admirável em suas qualidades humanas. É preciso deixar-me possuir pela bondade de Cristo (Naim, o leproso, a mulher encurvada, Lc 13,12). Perceber a extrema sensibilidade de Cristo aos valores humanos e estéticos (lírios, pássaros, Lc 12); valores morais (admira a viúva que dá o óbolo, Lc 21,4); a delicadeza de trato com as pessoas, respeitando-as no que tem de mais íntimo (adúltera, Jo 8). Compreender a reação de admiração do povo: “É o profeta” (Jo 7).

É mais do que um homem admirável: é o Filho de Deus, igual ao Pai. Maior do que Moisés, Abraão, Davi, Salomão, maior do que o Batista ou outro profeta. Tem autoridade sobre a Lei (Mt 5,23-33). Opera no sábado (Mc 2,28). Aplica a si os atributos de Deus sem medo de escandalizar: perdoa pecados (Mt 9,1-8); julga os homens (Jo 5,22); faz as obras do Pai (Jo 10,38); afirma que é UM com o PAI (Jo 10,30.38)

Renovar minha fé na divindade de Jesus Cristo é aceitar o amor de Deus para comigo. Quem me ama a ponto de dar sua vida por mim, é o próprio Deus: Meu Senhor e meu Deus, diz Tomé!

ORAÇÃO: “Tú és o Cristo, Filho do Deus Vivo”  (Mt 16,16)

                     “Vivo na fé do Filho de Deus que me ama”    (Gl 2,20)

B) Como me situo diante de Jesus Cristo?

Jesus me apresenta o maior ideal pelo qual posso sacrificar minha vida. Isto inclui aceitar na fé:

* que o mundo está em salvação. Devo libertar-me da concepção patriarcal da vida. Não importa uma vida longa sobre a terra, nem rebanhos, nem tendas. Importa que os homens se amem e cheguem ao Pai.

* que os homens formam um só corpo, e que minha vida é para o bem dos outros. Estamos em comunhão de méritos. Depois de Cristo, ninguém se aproxima de Deus sozinho. Nossas vidas estão ligadas. Todo homem é levado a oferecer sua vida como sacrifício espiritual pelos outros (Rm 12.1)

* que Ele é a luz que ilumina minha vida. Oferecer-me a Cristo para que Ele se sirva de minha vida, para continuar em mim seu amor ao Pai e aos homens. “A quem iremos, Senhor, tendes palavras de vida eterna” (Jo 6,68). A tal ponto o amor de Cristo pode me possuir, que coloque toda minha vida a seu serviço para que Ele aja no mundo.

C) Jesus Cristo me envia a pregar

1. Ele é o primeiro Enviado

* Parte de Nazaré para o Jordão (Mt 4,12-17). Contemplo a plenitude com que Ele se entrega ao ministério. Deixa sua mãe e seu trabalho, sua cidade e seus amigos e parte. Vai pregar aos homens o amor infinito de Deus e ensinar aos homens a se amarem como Deus os ama. Ele deu a vida por isso!

2. Envia os seus amigos para continuarem a sua Missão.

* Chama os que quer (Mc 3,13) para estar com Ele (Mc 3,14).

* Envia-os a pregar o Reino de Deus (Lc 9,2)

* Pede-lhes que deixem tudo (Lc 5,11) e eles deixam TUDO! (Mc 1,18). Casa, família, posição, profissão.

REFLEXÃO: Como os amigos de Jesus responderam?

Deram a vida por Cristo!

Para esses homens que nos precederam na fé, a salvação do mundo identificou-se com a própria vida.

ORAÇÃO: Ler rezando Rm 8,35; Fl 1,21

3. Como amigos de Jesus, somos segregados para o serviço

* Deus quer que todos se salvem (1Tm 2,4). Para isso instituiu a Igreja como Sacramento Universal de Salvação (Lg 1). Nessa “con-vocação santa” cada um coopera a seu modo e segundo sua condição. Aceitam a vida e a oferecem ao Pai pelos outros (Rm 12,1). Sei que não serei padre sozinho, mas num presbitério e em comunhão de obediência e fé com o Bispo.

* esse gesto continua a ação dos Apóstolos: apascentar a Igreja pela Palavra e pelos Sacramentos. Os que assim fazem, são a imagem da solicitude de Cristo pelo seu povo. Eternizam o “Bom Pastor” se tornando para seus irmãos um SINAL da importância da Salvação a que entregaram suas vidas e da prioridade absoluta do amor de Jesus Cristo.

REFLEXÃO – 1: chamado e enviado.

* Também EU sou chamado e enviado por Jesus Cristo (Esta é a minha verdade!)

* Recordar como um dia percebi o chamado de Deus.

* Também eu deixei tudo. Jesus não se esquece disso.

* Não sou melhor do que os outros, mas alegro-me em poder servir a Deus com toda a minha vida, deixando que, através das minhas palavras, gestos e atitudes, Ele possa fazer bem ao mundo de hoje.

* Perguntar a Nosso Senhor se Ele está contente com meu serviço. Perguntar-me com sinceridade diante de Deus em que posso melhorar esse serviço.

* Os outros que vivem comigo, o que pensam da minha felicidade? Acham-me um homem frustrado, triste, voltado para si mesmo? Ou percebem que sou um homem feliz porque minha vida está entregue a Jesus Cristo? Quem me vê, percebe que creio em Jesus Cristo?

* Examinando minha vida diante de Cristo, verificar até que ponto consigo manifestar aos homens a bondade de Deus. Quem se aproxima de mim, percebe que Deus o ama? De que adiantaria toda minha ciência, prestígio, força, criatividade, se os meus irmãos não encontrassem a bondade de Deus em mim?

ORAÇÃO: “Sei em quem coloquei a minha esperança” (Ler rezando 2Tm 1,3-13)

REFLEXÃO – 2: Minha confiança está em Jesus Cristo

* Tantos melhores do que eu cederam diante das dificuldades. Também sou fraco e pobre. Tenho experiência disso. É bom sentir-me igual a todos. É bom passar por provações e perceber a própria fraqueza diante de Deus e dos outros. Mas, Deus escolheu os pobres e fracos para confundir os fortes!

* Deus não me abandona (1Cor 10,13). Creio em Jesus e na sua oração por mim (Jo 14, 1.17). Ele me preserva de todo o mal (Jo 17,15).

* As dificuldades se superam por meio de um amor maior e não por compensações que não podem nos satisfazer. Se o que nos faz felizes é o amor, só poderemos recuperar a felicidade, voltando a amar de verdade, tornando-nos solidários com os que mais precisam do nosso amor: os pobres, os desamparados, os esquecidos, os doentes, as crianças. Quem já experimentou a alegria de dar gratuitamente, nunca mais se satisfará plenamente com outro valor. Tudo se relativiza diante da felicidade de quem dá com gratuidade.

ORAÇÃO: Eis-me aquí, Senhor! Envia-me…

Momento quinto

A) Jesus nos ensina a felicidade do amor oblativo

1) O verdadeiro amor!

* O amor do amante ao amado é primeiro. Precede a retribuição. Visa o bem do amado. A mãe ama assim. Deus ama assim.

* Jesus lava os pés dos seus discípulos. Tem gosto em servir aqueles a quem ama (Jo 13,17). Ele vive a grande parábola do amor oblativo (Lc 14,12s).

2) Temos que repetir o gesto do lava-pés para sermos felizes. Jesus veio nos ensinar este amor forte e novo. Amar é sentir-se feliz fazendo o outro feliz. Isto só é possível quando amamos de verdade o outro. Somos todos chamados à alegria do amor oblativo. O ágape é o cerne da mensagem de Jesus, seu único mandamento (Jo 15,12). Deus é amor oblativo puro. É esta a alegria que Jesus veio nos comunicar (1Jo 1,4)

B) A Nova e Eterna Aliança

1. A dicção do amor

* Jesus toma o pão e o vinho. A Palavra de Jesus é verdade e vida. O pão é Corpo entregue. O vinho é Sangue derramado. Creio, Senhor!

* a significação do gesto: Jesus significa a verdade de sua morte. Entregando seu Corpo e derramando seu Sangue, DIZ sua morte. É o Cordeiro Imolado. Jesus instituindo a Nova e Eterna Aliança a confirma com seu Sangue.

* Eis minha vida, Senhor: meu corpo e meu sangue à ser derramado por ti!

* a significação da morte: A morte é a prova do seu amor maior (Jo 15,13). Pela verdade da sua morte DIZ-NOS que de fato dá sua vida, que nos ama. É o Bom Pastor que dá a vida pelos homens (Jo 10,11) É o grão de trigo que morre para dar fruto (Jo 12,24)

* Pela sua morte, Jesus nos diz a verdade do amor de Deus para conosco. O meu corpo e sangue oferecidos ao Pai, são distribuídos aos homens. Na morte de Cristo, dá-se a reconciliação plena com todo o gênero humano.

2. O Mistério da união

* Cristo se oferece como Alimento: “Tomai e comei”. Tomai e bebei”. Dá-se aos homens como fonte de vida: “Quem come a minha carne fica em mim e eu nele; viverá por mim”(Jo 6,56.57). É a vinha (Jo 15).

* Quando me alimento do seu corpo e do seu sangue eu me identifico com Ele, aceito sua vida e seu amor. Nele aceito todos os meus irmãos. Na Eucaristia o gesto do lava-pés se torna norma absoluta para a minha vida (Jo 15,15).

ORAÇÃO: perdoai, Senhor, sou um pobre homem!

No altar, a hóstia é o meu sol. O sol de justiça que brilha neste mundo.

Eu me ofereço!

No Altar o meu sangue se mistura com o teu. Que o meu corpo seja também sacrificado para a salvação daqueles que amais!

“Formamos um só corpo, todos que comungamos de um só Pão” (1Cor 10,17)

·        Foi no “caminho” de Emaús que o encontramos, suas palavras abrasou nossos corações e, depois, nós o reconhecemos quando partiu o pão e tomamos juntos a refeição…

·        Foi na Ceia que, cingindo a toalha, ele nos lavou os pés e nos mandou servir os irmãos…

·        É na Missa que o celebramos e adoramos, com ele comungamos e dele nos alimentamos…

·        É diante do tabernáculo, de joelhos dobrados, que podemos exclamar: “meu Senhor e meu Deus…”

Sobre conegoadriano

Doutor em Teologia Moral, professor, Sacerdote
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